Texto original* escrito para a orelha do livro "Manual do artista-etc" de Ricardo Basbaum



Artista, ensaísta, crítico, escritor, interventor, constestador,
pensador, deslocador, atualizador, transformador,
duvidante, formador, criador, agenciador, deslizante, leitor,
desacelerador, abridor, desnaturalizador, articulador,
professor, ampliador, contaminador, agitador, questionador,
extrator, cultivador, confrontador, curador, reconhecedor,
expansor, produtor, falante, conceituador, marcador,
processador, representante, antecipador, instaurador,
opositor, variante, avaliador, analista, persistente,
desconstrutor, tensionador, misturador, mapeador,
localizador, constituinte, forclusor, relacionante, contador de
histórias, caminhante, cruzador, atento, atravessador,
pesquisador, nômade, transatravessador, debatedor,
tracejante, mediador, tradutor, público, atuante, brotador,
superposicionador, contextualizador, projetista, amplificador,
discursivo, armador, cauteloso, subversivo, revelador,
instigante, provocador, apreciador, viajante, desviante,
expositor, hibridizador, polenizador, dialogante, dinamizador,
migrante, incorporador, receptor, consistente, ouvinte,
promotor, acoplador, maquinador, compilador, realizador,
diagramador, desenhista, combinador, conector, atrator,
desconector, desenvolvedor, reposicionador, esquemista,
espectador, jogador, praticante, ocupante, cruzador,
combatente, refletor, poeta, trabalhador, descobridor,
propositor, atuante, agrupador, experimentador, planejador,
inventor, organizador, fugitivo, revisor, consumidor,
desejante, autor, comentador, político, laçador, conversante,
fomentador, fluído, etc.

Pensar o espaço entre o artista e o etc. é buscar-lhe as
vísceras, os seus mecanismos e motivações. Uma procura
que se justifica em si mesma, pois não há ponto de
chegada, ou seja, não há explicação definitiva que torne tal
agenciamento completamente transparente. A ausência de
ponto (final) não significa outra coisa se não a presença
ostensiva da linha, lembrando que o desenho surge sempre
a partir do deslocamento entre pontos. E é a partir de
relações, diálogos, associações e circuitos que se traça o
presente livro, o qual recebe o curioso nome de "manual".

Uma leitura possível é imaginar que o desenho proposto é
feito manualmente, não como um elogio à artesania, mas
sim a uma temporalidade distendida na qual cada palavra
foi cuidadosamente lapidada, articulada e contextualizada.
Se muitos artistas da famosa "Geração 80" (a qual Ricardo
Basbaum impertence) primavam pela manufatura visual, o
autor atualiza aquela pulsão assumindo um texto
manufaturado, ou um manual não-retiniano, cavando com
elegância e bom humor a sua posição - sempre singular -
na tradição.


* por uma decisão da editora, os livros dessa coleção mudaram
o formato e não possuem mais orelhas. o texto escrito foi adaptado
então para se adequar à quarta capa, sofrendo corte de tamanho e
conteúdo.



Um comentário:

Darío Petrusati disse...

Conheci o texto de Ricardo quando eu estava em Buenos Aires. Foi em uma exposição no salão principal do apart hotel em buenos aires recoleta mais conhecido.